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Efeitos do fogo e da cobertura vegetal sobre quatro espécies de lagartos em savanas Amazônicas

  • Foto do escritor: PPGBEES
    PPGBEES
  • 4 de mar. de 2021
  • 3 min de leitura

Atualizado: 5 de mar. de 2021

O que é a pesquisa?

Savanas são ecossistemas abertos, ensolarados, dominados por gramíneas, arbustos e árvores dispersas (Figura 1). Mesmo que o clima úmido da Amazônia possa oferecer condições propícias para o crescimento de florestas, savanas têm suas características estruturais mantidas por eventos sazonais e irregulares de fogo. Embora o fogo possa destruir ecossistemas naturais e converter compostos orgânicos em produtos minerais, a maioria dos organismos que vivem nesses ambientes é altamente resistente às condições geradas pelas queimadas, e a paisagem tende a se recuperar rapidamente.

Fig. 1. Savana amazônica em Alter do Chão-PA. Foto: Erika Souza.

Nesse estudo nós testamos os efeitos do fogo e da cobertura vegetal sobre estimativas de densidade de quatro espécies de lagartos em duas escalas temporais distintas. Em curto prazo, testamos a hipótese de que as densidades de lagartos são espacialmente estruturadas em resposta à proporção de áreas queimadas ao longo de 1–5 anos. Nós amostramos lagartos em intervalos de tempo longos o suficiente para que a cobertura vegetal fosse regenerada desde a última temporada de fogo. Embora eventos individuais de fogo possam ter pouco efeito sobre os lagartos, o regime cumulativo de incêndio em longo prazo pode afetar as densidades de lagartos por historicamente reduzir a qualidade de hábitats. Por isso também investigamos se as mudanças nos hábitats induzidas pelo fogo ao longo de 21 anos preveem mudanças nas densidades de lagartos ao longo desse período. Lagartos são excelentes para testar os efeitos do fogo sobre a biodiversidade, porque os únicos refúgios contra o fogo em savanas Amazônicas são buracos no solo, troncos caídos, arbustos que não foram queimados, e cupinzeiros.


Como a pesquisa foi realizada? Nós amostramos quatro espécies de lagartos (Cnemidophorus lemniscatus, Kentropyx striata, Norops auratus e Ameiva ameiva) (Fig. 2) em 26 a 39 parcelas de 3,75 ha (250 x 150 m) distribuídas em manchas de savana próximas à vila de Alter do Chão, Santarém, Pará. Nós caminhamos lentamente ao longo de cada parcela, durante o dia, lado-a-lado (duas pessoas 5 m distantes em cada sessão de procura de lagartos), remexendo os arbustos e capins para estimular o movimento de lagartos. Utilizamos análises estatísticas e gráficos que serviram para mostrar que de forma geral, o fogo não afeta as densidades de lagartos nas savanas estudadas, tanto em curto quanto em logo prazo. No entanto, nossas análises também demonstraram que algumas espécies podem ser eventualmente afetadas pelo fogo, principalmente porque dependem da vegetação para termorregular (ou seja, procurar áreas sombreadas para reduzir a temperatura do corpo durante as horas mais quentes do dia).



Fig. 2. Espécies de lagartos estudadas. Créditos das fotos: A. Rafael de Fraga; B e C. Erika Souza; D. Bill Magnusson.


Qual a importância da pesquisa? Nosso trabalho mostra a importância da retroalimentação do fogo para a manutenção da biodiversidade de savanas. O fogo é parte natural de processos ecológicos em savanas, e os organismos que vivem nesses ambientes são altamente adaptados ao fogo sazonal. Então, nós precisamos enxergar as savanas como ecossistemas importantes que abrigam biodiversidade única, e muito diferente das florestas adjacentes. Por exemplo, os lagartos das savanas de Alter do Chão não vivem em áreas de floresta ou estão limitados a bordas e clareiras. Isso nos sugere que o reflorestamento de savanas para reduzir os impactos das mudanças climáticas globais não é uma boa solução, porque poderia causar a perda de conjuntos únicos de espécies, os quais formam ecossistemas altamente complementares às florestas de um ponto de vista biológico, e que são regionalmente raros. Resumindo, várias espécies são restritas a essas áreas abertas. Portanto ações de conservação não deveriam ser enfocadas em controlar o fogo natural em savanas, mas sim o fogo causado por humanos que acabam tomando proporções gigantescas e severas sobre a biodiversidade dentro desses ecossistemas, e aumentar os esforços em preservar as florestas que circundam savanas, as quais funcionam como barreiras naturais que evitam que o fogo se alastre.


Dissertação:

SOUZA, Erika dos Santos. Short-and long-term effects of fire and fire-induced vegetation cover on four lizard specieis in Amazonion Savannas. Orientador: Ricardo Kawashita-Ribeiro. Coorientador: Rafael de Fraga. 2020. 54f. Dissertação (Mestrado em Biodiversidade) - Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade. Universidade Federal do Oeste do Pará. Santarém, 2020.


Publicação resultante:

SOUZA, ERIKA; Lima, A. P.; Magnusson, W. E.; Kawashita-Ribeiro, R. A.; Fadini, R.; Ghizoni Jr., I.; Ganança, P.; Fraga, R. 2021. Short- and long-term effects of fire and vegetation cover on four lizard species in Amazonian savannas. Canadian Journal of Zoology. DOI: https://doi.org/10.1139/cjz-2020-0224.

 
 
 

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